Tenho procurado ler muito sobre a questão do materialismo, e das dicotomias que emperram o estudo das interlocuções NC-Psicanálise. Agora, a situação fica cada vez mais complicada… Li textos de uma autora, Jane Bennett, “Vibrant Matter”. Ela discute a questão de não se colocar no mesmo pacote materialismo e mecanicismo, por exemplo. Apresenta o tema do vitalismo, desde o século XVI, como matéria vibrante/vital. Vai de Spinoza, Nietszche, Thoreau, Bergson, alinhando-se com a corrente “vitalista”, pretendendo dar mais espaço à “força das coisas”. Chega a Latour e sua teoria dos actantes.
Bennett diz que não quer propor um novo vitalismo; apesar de usar a linguagem do vitalismo, não está propondo nenhuma força “extra-material que forneceria uma meta, uma finalidade, ou telos” para seu estudo. Pensando em Latour e seu “actualismo”: não estamos procurando por uma potencialidade oculta, escondida, misteriosa, mas o interjogo viável, possível, nas coisas mesmas.
Ela escreve: ” Demystification tends to screen from view the vitality of matter and to reduce political agency to human agency. Those are tendencies I resist” (XV). Como Latour, Bennett pretende pensar como se dar um estatuto aos animais e às coisas mesmas. Se lembrarmos das primeiras páginas do “Jamais fomos modernos” ( Latour), veremos como ele fala de coisas, humanos e animais na mesma frase, colocando-os na mesma altitude como definidores de circunstâncias do mundo.
Mas para Bennett, o que é “material”? E como evitar o pensamento materialista típico? que lugar se dá aos animais nisso tudo? Quanto aos animais, ver Donna Haraway e os cães!! O livro é especial – Haraway passou dos ciborgues, e macacos para os cachorros! Ver também Cary Wolfe ( faz juz ao sobrenome?…) sobre o estatuto dos animais – são vários livros. Não consegui seu artigo sobre Temple Grandin e a linguagem dos animais.
A Grandin é autista, especialista em gado, e em seu livro “Thinking in pictures” – essencial – ela fala dos processamentos sensoriais, e não linguísticos, que lhe permitem – e a todos nós, se dermos outro lugar ao sensorial -novos olhares sobre o mundo, as coisas… e os animais.
Ver o blog ” Philosophy in a time of error”, onde se faz um grupo de leitura do texto de Jane Bennett. Aliás, ela é diretora do depto de Ciência Política da Universidade Johns Hopkins, e já escreveu outros livros.
Divertido. Ah, e o livro de Cary Wolfe, “What is Post-humanism? “, sobre os animais, cibernética de 1a e 2a ordem – ver o texto sobre Hayles - Maturana e Varela. Mas não entendo como encaixar o trabalho final de Varela nessa “2a ordem” . E ninguém me explica…


