Podemos pensar em dois aspectos na discussão:
1. a própria concepção contemporânea de memória, não como um arquivo mas como um processo em constante transformação, onde o a-posteriori psicanalítico é confirmado. Os conceitos de memória não-verbal e de procedimento, que se aproximam dos conceitos de memória não-verbal, memória corporal, tema de autores como Ivanise Fontes, Christopher Bollas e outros . Ver Rosenblatt, in Aperturas Psicoanaliticas.
2.o conceito de apego, a importância dos primeiros contatos, e relação com o cérebro direito (Allan Schore). Também: transtornos do apego, psicopatologia e alterações em algumas estruturas cerebrais. Ver Iceta e Schore ( apego traumático e psicopatogênese do TSPT). Ver também psicoterapia bem sucedida e alterações cerebrais, in Fonagy Aperturas no. 15.A teoria do apego, proposta por John Bowlby, oferece desafios a um entendimento psicanalítico das representações de relações de objeto. Bowlby apresentou um modelo dessas internalizações que se modificam das interações conscientes e inconscientes bebê-cuidador baseadas nas necessidades de proximidade e de segurança dos bebês. Por sua vez, a teoria freudiana tradicional descreve essas representações relacionadas a identificações narcísicas, edípicas ou precoces. Nenhuma dessas concepções dirige-se especificamente para o sistema não-libidinal do apego, embora Freud tenha sugerido a idéia de apego através do conceito da sexualidade do bebê apoiada em tais necessidades básicas – ver Laplanche e a teoria do apoio.
Lyons-Ruth (1992) e Sameroff e Emde (1989) enfatizam a importância das interações precoces mãe-bebê na regulação do afeto do bebê. A regulação do afeto pode estar subjacente a várias competências que são internalizadas por ele. Para Lyons-Ruth, o rompimento do equilíbrio apego-exploração pode interferir no desenvolvimento de inúmeras capacidades cognitivas e sociais da criança. Esta pode, por exemplo, enfatizar as relações de apego causadoras de sofrimento ao invés de explorar de maneira criativa o ambiente a seu redor.
Penso que esta concepção pode ser interessante para pensarmos conceitos de “deficit”-como falta de capacidades mentais específicas- de maneira mais abrangente.